A ocupação

Ocupação Vidigal - UPPPerto das 4h30, alguém gritou na praça: “Vão invadir”. Os policiais, com cães, subiram o morro pela entrada principal, enquanto outros entraram pelo “14”, e mais um grupo subiu pela mata ao lado do motel Vips.
Antes disso, porém, um aparato inacreditável para o tamanho da comunidade, formado por cinco tanques de guerra e o caveirão (blindado do Choque), subiu o morro para abrir caminho para a tropa.
Quatro deles, no entanto, não passaram da metade do trajeto: resistentes aos tiros de fuzil que não foram dados e capazes de passar por cima de diversas barricadas montadas ao longo da Presidente João Goulart, eles não resistiram a uma artimanha simples: um barril de óleo jogado em uma rua íngreme, no Largo do Santinho. Voltaram tempos depois.  Já os tanques munidos de esteiras conseguiram superar o trecho, mas nada encontraram na parte de cima do morro além de barreiras formadas por um muro de concreto, móveis, colchões e até mesmo uma carcaça de carro.

Para decepção dos jornalistas que acompanhavam a operação, não houve sequer um tiro. Tampouco prisões ou qualquer tipo de Ocupação Vidigal - UPPviolência que pudesse ser relatada.
Com o dia amanhecendo, os policiais informaram que o morro estava tomado. E que havia sido o mais fácil entre todos os ocupados até hoje.

Quando os jornalistas começaram a subir, o não havia quase moradores nas ruas. Os poucos que passavam eram revistados. Por volta das 7h da manhã, uma surpresa: o comércio, que havia anunciado que não funcionaria, começou a abrir as portas.

Uma hora depois o sol já esquentava os ânimos e lembrar que na porta do Vidigal estavam a Polícia Federal, Polícia Rodoviária, Choque, Polícia Militar e Marinha parecia um tanto inverossímil.

Uma polícia diferente?
O Choque subiu o morro até o Arvrão. No caminho, pararam em uma garagem com algumas motos e pediram explicações ao dono, que logo informou que elas estavam regularizadas. O momento que poderia ser de tensão foi didático para mostrar a forma de trabalho da tropa que ocupará o Vidigal por tempo indeterminado até a chegada da UPP.  Após a primeira abordagem, um dos policiais segurou a manga do uniforme e se dirigindo a um rapaz receoso em um canto, arremessou: “Está vendo este uniforme? Nós não somos iguOcupação Vidigal - UPPais aos outros”.

Questionado pelo Vidiga! sobre a postura dos policiais que ocupariam o morro após o Choque, ele foi enfático: “Não foi a toa que mandaram a gente. Viemos mostrar que polícia pode ser diferente. Agora, caberá a vocês denunciar e acabar com a existência de possíveis policiais corruptos que possam vir para cá”.

Já no Arvrão, os policiais fizeram buscas no terreno vazio em volta suposta casa do traficante Nino, onde acharam uma réplica de fuzil. Em um ralo de água, no mirante, encontraram um saco plástico com uma pasta branca que logo se revelou tapioca, e não cocaína.

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