Um exemplo do paraíso: o amanhecer no topo do Dois Irmãos


Só quem já subiu ao topo do Morro Dois Irmãos sabe o que é enxergar o Rio por um ângulo inédito e pouco comum em cartões postais. Também é restrito a estas pessoas o prazer de, na orla de Ipanema, olhar para o alto daquela pedra enorme e orgulhar-se da façanha.

Morro Dois Irmãos - Crédito: Leon BalkerNo entanto, o designer André Koller, morador do Vidigal há três anos, não se contentou em fazer isso uma ou duas vezes. Constantemente sobe ao topo buscando caminhos pouco usuais, como quando saiu da trilha com um amigo e achou, não sem alguns arranhões, a saída para o Vidigal seguindo apenas uma direção: a de baixo.
Morro Dois Irmãos - Crédito: Leon Balker

Na manhã desta quarta-feira, 30 de maio, André acordou de madrugada e acompanhado de mais três amigos, subiu a pedra para ver o dia nascer. O resultado foi registrado por Leon Balk, um dos corajosos aventureiros, nas lindas cenas que ilustram este texto.

Para quem não sabe o caminho, pode mandar um e-mail para André, que também é guia nas horas vagas: andre@vidigalo.com

Voar, voar: o Vidigal, o parapente e a descoberta de Cabral

Em meio aos diversos benefícios que a pacificação trouxe ao Vidigal, há alguns efeitos colaterais. Um deles é a sensação, para boa parte da imprensa, de que o morro foi descoberto por Cabral. Não o Pedro Álvares, de 1500, mas o governador, mesmo. Existia, sim, vida anterior à UPP. Ao contrário do que muitos veículos publicam, a trilha para o Morro Dois Irmãos não estava tomada pelo tráfico. Não havia alguém na porta com uma arma impedindo a subida, tampouco os trilheiros que subiram para o topo encontravam cadáveres ou pessoas armadas lá em cima.

Markus Fiedler - Parapente - Vidigal - Dois Irmãos

Markus Fiedler se prepara para saltar do Dois Irmãos. Foto: Andreas Wielend

Uma matéria recente de O Globo, por exemplo, intitulada Com a Zona Sul entre os Pés, publicada no blog Radicais, comemora o feito da primeira pessoa a registrar um salto de parapente do Morro Dois Irmãos. O carioca Pedro Aires não foi o primeiro. Antes dele, o alemão Markus Fiedler saltou pelo menos três vezes de lá, com a ajuda do pessoal da Casa Alto Vidigal. O feito, registrado em fotos e vídeos, foi realizado no carnaval de 2011.

Não se trata, exatamente, de estabelecer recordes, mesmo porque anteriormente muitos já fizeram o mesmo com ou sem registro, como o próprio autor do post cita em exemplos. A grande questão é mostrar que o Vidigal não começou a existir como atrativo cultural e turístico depois de 13 de novembro de 2011.